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Salvador foi a capital que teve a maior variação da cesta básica em 2020

Salvador foi a capital que teve a maior variação da cesta básica em 2020


12/01/2021

Por Yuri Abreu

Antes detentora, por vários meses e até mesmo por alguns anos, do título de capital nacional onde a cesta básica é a mais barata, Salvador, em 2020, mudou de realidade, passando a ser a que teve, no ano passado, a maior variação de preços dos itens que compõem o conjunto de mantimentos: alta de 32,89%, bem a frente do segundo colocado, Aracaju (28,75%) e 15,12 pontos percentuais a mais em relação a Curitiba, cidade que teve a menor variação no ano: 17,76%.

Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Na capital baiana, as três principais elevações de preço ocorreram no óleo (107,53%), no tomate (102,56%) e no arroz (80,67%). Abaixo dos 10% ou com índice negativo, por outro lado, apareceram o pão (5,56%), a manteiga (8,52%) e o café (-6,78%).

Conforme a instituição, em 2020, a maior parte dos produtos apresentou elevação de preços em todas as capitais. Entre as principais justificativas, estão, principalmente, a desvalorização cambial, o alto volume das exportações e por fatores climáticos, em decorrência de longos períodos de estiagem ou de chuvas intensas.

Um dos itens que contribuiu para isso foi a carne bovina, que teve alta em todas as cidades que fazem parte da pesquisa. Entre os motivos, estiveram a intenso ritmo de exportação - principalmente para a China -, baixa disponibilidade de boi gordo no pasto, elevação nos preços de importantes insumos pecuários importados e aumento no valor dos insumos de alimentação, como o milho e o farelo de soja. Outros componentes que chamaram a atenção neste sentido foram o leite e a manteiga (baixos estoques e custos elevados de produção), além do arroz e óleo de soja.

DEZEMBRO

Contudo, se for levado em conta apenas o mês de dezembro, houve uma queda de -1,85% no preço da cesta básica em Salvador (R$ 479,08). Ainda assim, o município aparece na quinta colocação, atrás de João Pessoa (R$ 475,19), Recife (R$ 469,39), Natal (R$ 458,79) e Aracaju (R$ 453,16). Por outro lado, cinco capitais do país têm o valor superior a R$ 600 no conjunto de mantimentos: São Paulo (R$ 600,28), Rio de Janeiro (R$ 621,09) Porto Alegre (R$ 615,66), Florianópolis (R$ 615,57) e Vitória (R$ 600,28).

Entre novembro e dezembro de 2020, o custo da cesta foi maior em nove cidades e menor, em oito; com destaque para as elevações de João Pessoa (4,47%), Brasília (3,35%) e Belém (2,96%). Além de Salvador, outra grande diminuição foi registrada em Campo Grande (-2,14%).

No geral, conforme o Dieese, Com base na cesta mais cara que, em dezembro, foi a de São Paulo, a estimativa era a de que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.304,90, o que corresponde a 5,08 vezes o mínimo vigente, de R$ 1.045. O cálculo é feito levando-se em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Além disso, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta para o conjunto das capitais, considerando um trabalhador que recebe salário mínimo e trabalha 220 horas por mês, foi, em dezembro, de 115 horas e 08 minutos, maior do que em novembro, quando ficou em 114 horas e 38 minutos.